Quando ele acendeu o último cigarro do ano, faltavam ainda alguns minutos para a meia-noite. O suficiente para uma tragada ou um suicídio, pensou, amaldiçoando a onda politicamente correta de não mais se poder fumar em lugar algum.
Depois olhou pela janela do apartamento e deu com a alegria nas ruas, a barulheira de vozes que se misturavam à música e aos fogos que iam pouco a pouco enchendo o ar de fumaça, menos discreta, é claro, do que essa que subia lentamente da ponta em brasa do cigarro, por um segundo afastado da boca, e que se juntava àquela soprada pelo hálito dele, em torvelinho.
Por uma absurda insistência em dedicar-se à fé ou à esperança, teceu um pedido silencioso, não sem antes se perguntar se alguém (ele mesmo, quem sabe?) poderia ouvi-lo, tamanha a fúria desencadeada pela contagem regressiva que, a partir daquele instante, reverberava em ondas pela multidão nas ruas e subia em espirais, como a fumaça, pelas árvores, pelos postes de luz, pelas paredes dos prédios, pelos sentidos até então anestesiados pela expectativa.
Não falta mais nada... nem você, murmurou, enquanto o vozerio do povo ecoava dentro de si, entoando o mantra dos dez segundos derradeiros do ano que se despedia. Sobre a brasa ainda acesa do cigarro e contra o ruído surdo dos artifícios, saltou ao encontro do ano-bom sem poder ouvir sequer as batidas do próprio coração.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Feliz Ano-novo!!!
Para saudar a chegada de 2009, agora o blog tem uma fitinha (sim, porque eu sou desse tempo) na qual vou deixar para todos vocês ouvirem algumas seleções particulares. Espero que gostem.
Feliz ano-novo a todos!
(que em 2009 eu possa escrever com mais regularidade aqui!)
Feliz ano-novo a todos!
(que em 2009 eu possa escrever com mais regularidade aqui!)
domingo, 6 de julho de 2008
Amores Brutos

Tem 3 anos e meio. Estava entretida em me contar uma história na qual havia um morcego e uma "morecega". No fim das contas, o morcego casa-se com a "morcega". Pausa. Carinha triste e bico, antes de declarar:
- Eu não posso me casar.
E eu, dando corda:
- Mas por quê?
- Porque sou muito pequenininha.
Mais lenha na fogueira:
- Mas, se você fosse casar, com quem seria?
- Com o Fred.
Rápida explicação: sei que ela é o xodó dos meninos na creche e que o seu grande admirador declarado é o Luiz Gabriel, que vive alardeando aos 4 ventos que ela é uma princesa. Surpreso com a declaração, quero saber mais sobre essa nova paixão:
- Ué... mas não é o Luiz Gabriel?
Ela balança a cabecinha, negativamente. Eu não desisto:
- Mas quem é que te chama de princesa?
- O Luiz Gabriel. (pausa) O Fred pega a garrafa de suco dele e senta na minha frente. Depois ele vai e derruba tudo no meu vestido!
- Ah! E é por isso que você vai casar com ele?
E ela, com a cara mais natural desse mundo:
- É!
sábado, 5 de julho de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Eu nunca fui paixão de ninguém...

Desacostumei de carinho
(Fátima Guedes)
Desacostumei de carinho
Não pegue desse jeito em mim
Que eu passei tanta dor que ainda hoje guardo
Uma semente ruim
Apenas não me olhe assim
Que eu tenho pronto um sorriso amigo
Que me defende do perigo
E guarda você de mim
Desculpe, mas por dentro
Eu sou tão machucada...
Eu nunca fui paixão de ninguém
E sempre a tola apaixonada
Eu desacreditei de amor
Não pegue desse jeito em mim
Quem sabe eu passo pra você
Minha semente ruim
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Nobreza

Encontrei uma pérola no Youtube, uma "master class" dada pelo mestre no fim da vida. A gravação deve ser do fim dos anos 70 ou começo dos anos 80, Rubinstein contava com mais de 90 anos, já havia se retirado das salas de concerto e a cegueira o impossibilitava de tocar.
Mesmo assim é impressionante o que ele extrai da música de Chopin e tenta passá-la ao jovem pianista (se eu não me engano, Ilan Rechtman, um israelense que posteriormente tornou-se bem sucedido, venceu alguns concursos de música erudita e passou para o jazz).
O discurso de Rubinstein, ao final, é tocante: diz ele que a música nunca deve soar pomposa e, sim, nobre. A nobreza é a característica máxima da música. Até mesmo a música popular deve ser feita com nobreza, senão não pode ser boa.
Aprendamos-lhe a lição.
http://youtube.com/watch?v=3-NLrSRZkmE
sábado, 19 de janeiro de 2008
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