Entre o Diabo e o Mar Azul Mais Profundo

domingo, 6 de janeiro de 2008

You've got me in between...



Faz tempo que criei esse blog, mas até hoje não havia me decidido a escrever pelo simples fato de não saber o que fazer com ele.

Veio a idéia: a vida é um improviso de jazz. E o título, uma tradução livre de uma canção antiga, que ouvi pela primeira vez através do piano de Thelonious Monk, cujas notas pingadas e súbitos silêncios me encheram de assombro e admiração.

Com idéia e título nas mãos (ou na cabeça), faltou-me o conteúdo. Sobre o que escrever? Jazz? Música? Improvisos? Poesia? Vida? Banalidades? Cotidiano? Cinema? Imagens? Cheiros? Gostos? Tons? Como encontrar um foco entre tantos e tão variados interesses?

Deixei quieto. O tempo passou, me esqueci desse espaço, idéias surgiram e sumiram, a vida seguiu sua marcha ora frenética, ora mansa, os sons se alternaram nos tímpanos, imagens, cores e formas se grudaram na retina, cheiros e gostos se agregaram ao palato e, da mesma forma, a vontade de escrever se aninhou novamente nos dedos.

E assim, entre o diabo e o mar azul mais profundo, reassumo o compromisso de registrar tantas e tão vastas emoções e pensamentos imperfeitos (sim, eu sei que isso é uma paródia) sem a preocupação de traçar um plano, de catalogá-los (que o pesquisador estruturalista há muito se perdeu por entre as estantes da biblioteca da velha faculdade) ou agrupá-los sob as malhas frágeis do entendimento cartesiano.

Antes, fiel ao piano atônito de Monk, vou agrupando perplexidades para dá-las de presente a quem quer que se disponha a prestar atenção nessas notas pingadas, nesses silêncios súbitos, nesses instrumentos de assombro.

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