Quando ele acendeu o último cigarro do ano, faltavam ainda alguns minutos para a meia-noite. O suficiente para uma tragada ou um suicídio, pensou, amaldiçoando a onda politicamente correta de não mais se poder fumar em lugar algum.
Depois olhou pela janela do apartamento e deu com a alegria nas ruas, a barulheira de vozes que se misturavam à música e aos fogos que iam pouco a pouco enchendo o ar de fumaça, menos discreta, é claro, do que essa que subia lentamente da ponta em brasa do cigarro, por um segundo afastado da boca, e que se juntava àquela soprada pelo hálito dele, em torvelinho.
Por uma absurda insistência em dedicar-se à fé ou à esperança, teceu um pedido silencioso, não sem antes se perguntar se alguém (ele mesmo, quem sabe?) poderia ouvi-lo, tamanha a fúria desencadeada pela contagem regressiva que, a partir daquele instante, reverberava em ondas pela multidão nas ruas e subia em espirais, como a fumaça, pelas árvores, pelos postes de luz, pelas paredes dos prédios, pelos sentidos até então anestesiados pela expectativa.
Não falta mais nada... nem você, murmurou, enquanto o vozerio do povo ecoava dentro de si, entoando o mantra dos dez segundos derradeiros do ano que se despedia. Sobre a brasa ainda acesa do cigarro e contra o ruído surdo dos artifícios, saltou ao encontro do ano-bom sem poder ouvir sequer as batidas do próprio coração.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Feliz Ano-novo!!!
Para saudar a chegada de 2009, agora o blog tem uma fitinha (sim, porque eu sou desse tempo) na qual vou deixar para todos vocês ouvirem algumas seleções particulares. Espero que gostem.
Feliz ano-novo a todos!
(que em 2009 eu possa escrever com mais regularidade aqui!)
Feliz ano-novo a todos!
(que em 2009 eu possa escrever com mais regularidade aqui!)
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